Um domingo na capital nacional é como um passeio no deserto. Especialmente no fatídico dia 8 de Janeiro, aquele domingo estava ainda mais deserto do que se costuma ver. A cabeleireira, junto a alguns populares (não um exército armado e treinado), mãe de filhos pequenos, fez o impensável, decidiu reclamar da política, e foi às ruas. Não havia armas, nem foices, nem arcos e flechas. Somente uma “revolta” miúda, como a voz do povo brasileiro sempre foi para os políticos e autoridades. Ela não era militante treinada por forças internacionais. Não tinha filiação partidária. Não tinha subvenção do Estado. Só uma mulher. Passando pelos palácios da Justiça, saca um batom da bolsa. E, na cultura do grafite, num gesto simbólico de resistência e impotência, escreve numa estátua. Essa foi a sua ruína. Presa junto aos demais, sem o reconhecimento dos mais básicos diretos deferidos a criminosos de peso, fora tratada como uma terrorista, uma pária. ...
Descartes propôs chegar à verdade por meio da dúvida. O Círculo de Viena acrescentou a necessidade de verificação. Após considerar um número suficiente de casos particulares, conclui uma verdade geral sem se esquecer a falseabilidade ou refutabilidade, que possa demonstrar que uma ideia/hipótese/teoria pode ser mostrada falsa. A ciência, portanto, é um conhecimento provisório. Por isso a ciência jamais pode impedir o questionamento.